Filme A Praia, com Leonardo DiCaprio

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Olá amigos do blog, sejam bem-vindos! Hoje vou fazer algo diferente por aqui, falar um pouco sobre um filme que assisti e que acho que tem muito a ver com a nossa vida: o filme A Praia, com o maravilhoso Leonardo DiCaprio. Vou descrever um pouco algumas cenas e fazer algumas colocações baseadas na psicanálise, que observei e que não são mostradas literalmente no filme, como em todos os excelentes trabalhos do ator.

O filme é antigo, mas só assisti ontem e acredito que ele será sempre atual, já que trabalha com nossos conteúdos mais profundos, como a busca do prazer, o egoísmo, a preguiça, a ira, a fuga.

A história é de um garoto que, cansado da civilização e, principalmente, frustrado com a relação com a família (infelizmente o filme aborda muito pouco isso), vai em busca de novas aventuras.

E ele desembarca em Bangkok, na Tailândia. No meio de baratas, drogas, bebidas ele encontra um estranho que lhe dá um mapa, com a promessa para o paraíso perdido, uma praia perfeita. O estranho está completamente fora de si, claramente afetado pelo que passou na praia, e acaba se matando no “hotel”.

Fechando os olhos para o que viu no estranho, talvez por sentir que a dor que há em si seja muito maior do que qualquer outra dor que possa vir, ele embarca nessa aventura, com um casal que conhece na cidade. Jovens, perdidos, sem força e coragem para enfrentar o mundo real, acabam em busca do impossível, enfrentam a natureza perigosa sem olhar pra trás, deixando assim, pensam, toda a dor e sofrimento que a vida lhes tenha trazido até agora. Sentem-se fortes, nada e nem ninguém os deterá. Longe dos pais, sentem-se livres, libertos, donos do mundo.

E assim chegam ao paraíso perdido, lindo, maravilhoso, calmo. Lá tudo é perfeito, lá não há dor, não há nenhum tipo de impedimento a sua liberdade, lá não há ninguém que diga que não pode. Lá não há frustração! A vida é só alegria.

Quantas vezes na nossa vida buscamos esse paraíso perdido? Quantas vezes ansiamos por um lugar onde não haja dor, não haja atrito, não haja necessidade de esforço, apenas sombra e água fresca. Quantas vezes deixamos a felicidade e a oportunidade passarem deixando de aproveitar o nosso dia esperando o paraíso perfeito do fim de semana, das férias, da sexta-feira. Quantas vezes deixamos pra traz o que realmente importa e amamos por medo da dor, fugindo pensando que longe estaremos seguros, esquecendo que não é possível fugir de nós mesmos.

E lá foram eles. Os primeiros tempos foram ótimos, encontraram a paz, comida, pessoas amigas e unidas, música, cigarro, e uma natureza onde só de olhar arrepia até a alma. E durou quanto tempo? O tempo necessário para que percebessem que a vida é real, que é necessário enfrentar-se e enfrentar o outro, que a felicidade não está escrita em um conto de fadas.

Queriam se livrar da civilização, será? Na hora de comprar iam à cidade, a lista era enorme de pedidos de cada membro do vilarejo, e adivinhem o que pediam? Tudo que não existia no paraíso tão sonhado e esperado, desde pilha até removedor de maquiagem. No fundo, queriam estar conectado com a vida que tinha, recalcada no fundo de sua alma e esperando apenas uma oportunidade para vir a tona.

E a natureza cobrou caro a estadia daquela “tribo”. Um tubarão comeu parte de três deles. Dois morreram e um ficou agonizando, gritando a noite toda e trouxe para o paraíso os instintos mais primitivos de seus membros. O agonizante era o responsável por acabar com a paz do lugar, com a harmonia e “felicidade” que almejavam, ele, com seus gritos de dor, relembrava a cada um a força de sua própria dor. Mas ninguém queria ouvir. Então, no limite do seu egoísmo, levaram-no para longe da praia, para que morresse sozinho e o seu som não fosse ouvido.

Mas ao lado do local precioso moravam alguns fazendeiros, que se sentiram roubados e invadidos e decidiram invadir a praia. Com armas em punho eles convidaram cada um a se enfrentar, a voltar para a realidade e encarar a sua dor, a crescer e evoluir. Todos foram embora, para suas vidas, para as suas famílias talvez. Exceto uma, a líder. A fantasia tomou conta completamente de sua mente, ela não tinha forças para viver o real, ela não tinha forças pra enfrentar a dor, e preferiu morrer.

O filme é sensacional em todos os sentidos. Nos faz julgar, mas o que faríamos se estivéssemos no lugar deles? Nos faz sofrer com a dor dos que foram atacados, nos faz sofrer com a morte, mas principalmente nos faz pensar.

Em que mundo estamos escolhendo viver? No real ou no ilusório? O que estamos esperando do outro, da vida, de nós mesmos? Será que não estamos focados demais na fantasia da praia perdida e perfeita, na idealização de um mar de rosas ou por medo do real acabamos fugindo? A vida é linda e maravilhosa onde estamos, com os pés no chão, com o amor verdadeiro, que não espera da vida e nem de ninguém o que eles não podem dar, e assim é feliz e evolui.

A praia perfeita no fim não era tão perfeita assim. A realidade não é fácil, mas é muito mais bela do que qualquer fantasia, desde que vivida com confiança, coragem, amor e fé.

Um grande abraço e até a próxima!

 

4 comentários em “Filme A Praia, com Leonardo DiCaprio

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  1. Aninha, podemos pensar q o mar é a volta ao paraíso, ao útero, ao inconsciente. Estou lá imerso no prazer, sem regras. Mas lá tb há tubarões de recalques e quantum de afeto q foi encontrado, como numa alucinação paranoide.

  2. Oi Maria, achei sua interpretação maravilhosa.
    Até me incentivou a ler novamente uma frase do professor Clóvis de Barros Filho: “Talvez a felicidade seja essa mágica capacidade de nos alegrar com o que já é nosso”.

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