Facebook e o ego ideal

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Hoje vou falar um pouco sobre o Facebook e a relação entre o que é real e o que parece ser. Desde criança, introjetamos valores que são passados por nossos pais, religião, escola, sociedade em geral. Conforme vamos crescendo temos a opção de flexibilizar estes padrões de acordo com os nossos próprios sentimentos e desejos, mas na grande maioria das vezes não fazemos isso, recalcando tudo no nosso inconsciente.

Aprendemos a usar este mecanismo de defesa e não enfrentamos nossa verdadeira essência. Lembro que o recalque é um habeas corpus para nós, quando não conseguimos resolver nossos problemas naquele momento. Mas não podemos deixar de trazer de volta ao nosso consciente para elaborá-los e transformá-los para o nosso bem.

Um dos conjuntos de padrões que adquirimos ao longo da nossa vida se chama ego ideal, que englobam as nossas idealizações de perfeição, o aparentar ser e ter. Ele representa a nossa  personalidade, as máscaras que utilizamos, e pode trazer muita frustração quando não é atendido. Exemplos de ego ideal: ser o mais inteligente, ser magro, bonito, ter muitos amigos, ser melhor mãe, pai, cuidador, esposa, ser sempre feliz, entre outros.

Quero deixar claro que TODOS nós temos este conjunto de padrões, uns mais patológicos, outros já bem mais trabalhados. O grande problema é que ele não reflete o que realmente somos ou sentimos.

O Facebook é um grande espaço de egos ideais. É porta larga para pessoas que precisam e são dependentes de segurança e reconhecimento. Pessoas quem muitas vezes têm uma vida infeliz, cheia de problemas familiares, de saúde, de relacionamento e que utilizam a rede para “camuflar” seu verdadeiro eu, deixando de lado a oportunidade de se assumir imperfeito e enfrentar suas sombras.

No fundo todos nós sabemos que a vida é trabalhosa, que todos têm dificuldades para enfrentar e que o mundo de felicidade eterna que é postado não existe. Já li pesquisas que falam sobre a força da rede em fazer com que pessoas que estão tristes fiquem piores, ao perceber a “felicidade” (demonstrada) dos seus amigos virtuais.

Até quando vamos viver na ilusão, criando um mudo online que não reflete o nosso mundo interior. Vivendo na ilusão de que tudo é lindo e maravilhoso em vez de criar e lutar por um mundo maravilhoso real, que começa a existir quando passamos a olhar mais para dentro de nós.Tudo bem postar fotos bonitas e felizes no Facebook, não estou dizendo aqui para colocar coisas tristes na rede, de forma alguma. O que sugiro é que sejamos verdadeiros, que as coisas boas sejam postadas e divulgadas sim, mas apenas quando refletir a realidade.

Vamos tentar viver mais o real e sair um pouco do ilusório, já que o que realmente importa não pode ser medido (nem curtido) em uma rede social.

Uma ótima semana de realidade e autoconhecimento para todos nós.

Meditação

28. A inquietude distrai e prejudica.

2 comentários em “Facebook e o ego ideal

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