Falando um pouco sobre suicídio

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Participei em setembro de um evento no Instituto de Psiquiatria da USP, o IPQ Portas Abertas. Uma das palestras que mais gostei foi sobre suicídio, ministrada pelo enfermeiro André Danjiro Yoshizawa.

O palestrante falou sobre algumas etapas que acontecem antes da tentativa de suicídio. Segundo ele, grande parte das pessoas já pensou em se suicidar pelo menos uma vez na vida.

Primeiramente o pensamento suicida vai surgindo e aos poucos vai se estruturando e ganhando forma como a única alternativa, ou a mais lógica para aliviar o sofrimento. O próximo passo envolve o planejamento do ato, a pessoa pensa na forma e nas consequências da sua atitude. Tudo varia muito de acordo com o grau de sofrimento, conhecimento dos métodos, locais, etc. Na grande maioria das vezes o indivíduo deixa pistas: suas falas podem entregar o que estão pensando, agem sem planejar o futuro, utilizam mensagens de despedida, ironizam a morte, dizem que a vida é péssima e que a morte é muito melhor, entre outras demonstrações.

A tentativa de suicídio pode ser impulsiva ou estruturada. Caso haja falha na primeira vez a tendência é que o indivíduo sofra muito mais por não ter conseguido, além de ter que enfrentar as pessoas ao seu redor, muitas vezes agindo preconceituosamente. O palestrante destacou que se a pessoa tentou uma vez, ela realmente quer se matar. Segundo ele, os adolescente são os que mais tomam esta atitude de forma impulsiva, por uma frustração muito grande ou uma dor que não conseguem suportar.

Um dos grandes problemas em relação ao suicídio é que infelizmente ainda há muito preconceito envolvido, principalmente nas religiões, que tratam o ato como algo inadmissível. É preciso ter em mete que o ato não é algo natural do ser humano e que a pessoas que se encontram nestas condições precisam muito do apoio e ajuda de todos.

O palestrante destacou que algumas patologias estão associadas ao suicídio: transtorno de humor, bipolar, depressão, dependência química, esquizofrenia, transtorno de personalidade, transtornos mentais orgânicos, transtorno de ansiedade, entre outras.

Existem diversos fatores que influenciam e aumentam o risco de suicídio:

Idade: adolescentes e adultos com mais de 50 anos;

Sexo: masculino – a mulher tenta mais vezes mas o homem é mais efetivo.

Estado civil: solteiros, divorciados e viúvos;

Condição econômica: mais ricos ou mais pobres;

Ocupação: profissionais de saúde e executivos de negócios;

Método: conhecimento de métodos para o ato;

Histórico: casos na família;

Físicos: doenças terminais, neurológicas, dor crônica, acidentes com traumas irreversíveis;

Psicológicos: desequilíbrio emocional, transtornos psiquiátricos, abuso de substâncias, luto, abuso sexual, homossexualidade na juventude;

Social: desamparo, solidão, isolamento;

Comportamentais: compra de armas, testamentos, tentativas anteriores, ansiedade, irritabilidade, armazenamento de medicamentos, entre outros;

Situacionais: crianças em abrigos, idosos em casas de repouso, aposentadoria, viver sozinho, mudar de casa, desemprego, entre outros.

Para ajudar uma pessoa que tentou se suicidar o palestrante indica a busca de serviços de emergência que tenha atendimento psiquiátrico. Em seguida procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, que avaliará a urgência e a necessidade de encaminhar para uma Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e esta se há indicação para o IPQ. O Instituto de psiquiatria da USP só atende com o encaminhamento do SUS ou casos de pessoas que morem perto (ele fica nas Clínicas) e, neste último caso, também haverá uma avaliação de necessidades.

É preciso que as pessoas ao redor demonstrem afeto, sejam empáticos e entendam que o problema é de saúde mental. É fundamental não julgar, buscar ajuda (terapia e psiquiatria), apoio social e não deixar nunca essa pessoa sozinha.

IPQ : Telefone 2661-6440 – de segunda a sexta das 07h30 às 17h30

Serviço de emergência do pronto socorro da LAPA tem atendimento psiquiátrico

CVV (Centro de Valorização da Vida) – para quem está se sentindo triste e precisa de um acolhimento: site www.cvv.org.br / telefone 141

Observação: precisamos estar atento ao modo como estamos levando a nossa vida e como estão as pessoas ao nosso redor. O amor é essencial. O mundo está doente e se pudermos nos ajudar e ajudar ao próximo estaremos diminuindo essa dor.

Uma ótima semana de paz para todos!

Meditação

18: Fale sua verdade com calma e tranquilidade, escutando os outros com paciência. Mesmo os intolerantes têm opiniões.

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